domingo, 15 de abril de 2012

Capítulo VII

     Acordo, ainda sem notar o que acontecera. Um barulho que parece longe está entrando por meus ouvidos.
     Um longo minuto passa até que percebo que caí no sono em cima de todas as coisas, sentado junto à mesa de jantar.
     Agora que estou consciente, vejo que o barulho é no meu próprio apartamento. É o aparelho de telefone.
     ‘’Alô...’’ Digo sem nem mesmo ter olhado o número.
     ‘’Desculpe incomodar logo cedo, senhor.’’ Reconheço a voz do porteiro. ‘’Há alguns minutos, a senhorita que veio com você ontem à noite, passou pela portaria e pediu para que eu lhe desse um recado.’’
     ‘’Que recado?’’ Digo, então cai a ficha.
     Uma corrente de energia passa por meus nervos. Rapidamente o sono que me envolve se dissipa.
     ‘’Ela disse: ‘Agradeça-o, por favor. Diga que assim é melhor para ele.’ Então achei estranho e melhor lhe informar.’’
     ‘’Obrigado, Sr. Mario.’’ Digo, segundos antes de bater com o fone no gancho.
     Saio correndo pela casa, procurando algum bilhete ou algo do tipo. Nada se fazia presente.
     Desço correndo as escadas e passo rapidamente em frente ao porteiro, com uma simples pergunta:
     ‘’Para que lado ela foi?’’
     ‘’Para a esquerda, e depois virou no fim da avenida.’’
     Corro pelo caminho, em meio à rua deserta, como sempre. Num dado momento, quando me aproximo do fim da avenida, depois de ter passado por inúmeras ruas paralelas a ela, sinto uma meus pés doerem.
     Olho para o chão e me deparo com meus pés expostos a todo tipo de cascalhos e pedras da rua. Na eletrização do momento, havia saído descalço sem nem notar.
     Agora, sentia que estariam doendo por muito tempo.
     Instintivamente, sou obrigado a diminuir a velocidade. Agora que meu cérebro se fazia consciente da situação de meus pés, cada passo gerava agonia, como se eu estivesse caminhando por um caminho inflamado por brasas.
     Mas meu cérebro também me força à frente. A possibilidade de ela estar se deslocando tão rapidamente é praticamente nula em minha mente.
     Viro na curva do fim da avenida. Meus olhos folheiam o horizonte.
     Nesse processo todo de correr, me orientar, e procurar, não me faço consciente dos pequenos detalhes ao meu redor. Ando sem ver onde piso. Ao longe, vejo uma garota apressada.
     Instintivamente ou não, tenho um rápido estímulo para acelerar. Meus pés forçam o chão atrás de mim e se lançam à frente. Sem consciência esse ritmo é coordenado, mas meus olhos não estão presos ao chão. Eles estão fixos na garota ao longe, tentando decifrar suas características.
     Por obra do destino, não me faço consciente do repentino aumento de movimento, agora em uma avenida. Meus olhos identificam seu cabelo curto e algo que brilha levemente, de acordo com o sol batendo e com que, ao que a garota estava andando rápido, a objeto voava om torno de seu pescoço.
     Sim, era ela. E o cordão com asas..
     Sem noção de mais nada, meus pés passam pela beirada de um meio fio e me desequilibro.
     Sou arremessado, devido à velocidade que estava, rapidamente para o meio da avenida. Meus olhos agora começam a se desprender de Sofie.
     Capto um leve vulto prateado, que ofusca ainda mais minha visão. E então sou lançado para cima e jogado para frente na mesma hora em que os sons voltam ao meu cérebro, com uma brusca freada.
     Uma dor aguda me atinge na cabeça e vejo o sol antes de tudo escurecer.
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     Abro os olhos, ainda estão turvos por todos os acontecimentos. Não deve ter se passado muito tempo desde que apaguei. Ainda vejo o sol no mesmo lugar de antes.
     Estou estirado na rua, nem sinal de nada nem de ninguém. O carro prateado havia se mandado.
     Não o culpo. Quem pararia o carro pra prestar socorro a um lunático que estava correndo que nem louco entre a rua e a calçada e ainda por cima descalço.
     E fedendo. Agora coisas pequenas entram em minha mente. Não havia nem tomado banho.
     Em minha mente, tudo está parecendo distante e em vão. Tentativas e mais tentativas e riscos corridos atoa.
     Levanto. Tontura e enjoo me tomam. Sinto o calor do sangue escorrendo por minha cabeça. Meus pés em carne viva. A fraqueza também se faz presente.
     Caminho lentamente, até a parede mais próxima. Seis metros em dois minutos, um record para meu estado.
     Me apoio e sigo, mais escorregando pela parede que caminhando.
     O tempo parece não correr. Sons de carros ocasionais que passam não chegam até mim. Minha mente começa a desfalecer...
     Uma eternidade depois vejo a portaria. Meu corpo, em convulsão. Física. Psicológica..
     O porteiro me ajuda até meu apartamento. Lá em cima encontro a porta aberta. Agora percebo que não havia fechado, nem tirado a chave.
     Entro, agradeço a ajuda e fecho a porta..
     Vou devagar e me lanço em baixo do chuveiro. E deixo a água cair em mim.. por muito tempo.

3 comentários:

  1. Se ela deixou um recado, ela se preocupa ou está apenas querendo chamar a atenção para que ele a procure de alguma forma. Ela levou o colar, então surgiu uma ligação. Será que foi amor a primeira vista?! Ele pareceu tão desesperado em perdê-la.

    Mais um ótimo capítulo Bruno. Pequeno, mas substancial.

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    1. Você é bom demais em suas análises kkkk É ficou pequeno mesmo... desaprendi a escrever os capítulos maiores, mas nem tinha muito o que dizer nesta parte... Vou ver se escrevo mais no próximo. E ainda espero te surpreender kkkk
      Obrigado, Natan.

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  2. LOL --- Mais ansioso ainda com os próximos agora.

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