Vou diretamente para casa.
A tecnologia me permite isso. Só enviar os arquivos, anexados a um e-mail. É o processo padrão de onde eu trabalho. Mesmo eu preferindo, em muito, revelá-las à moda antiga.
Chego, vou diretamente ao meu computador. Adapto o cartão de memória ao pequeno conector e voilà. As fotos são carregadas e, depois de uma olhada na qualidade, são enviadas.
Agora eu estou livre do trabalho. E o fim de semana será preenchido por análises e traduções.
São 15hrs e 20 minutos. Pego o celular e ligo para o meu 'amigo'.
Meu número está gravado por ele, com toda a certeza.
''Quem é vivo sempre faz ligações não é, Bruno? O que você precisa dessa vez?'' - Diz ele em tom de deboche.
''Como se só eu que pedisse favores! Acho que foi na semana passada que te ajudei com aquele código fonte, não foi, Felipe?'' - Falo, também, rindo.
''Até parece que você fez tanta coisa assim.''
''Bem, aos negócios.'' Digo. ''Preciso de uma bateria de lítio. Sete centímetro de comprimento, quatro de largura e um de altura. O que você pode fazer por mim?''
''Acho que tenho umas duas dessas..''
''Ótimo!'' O interrompi. ''Conversamos mais quando eu chegar aí.''
Desliguei, peguei minha jaqueta, já úmida, e lancei-me na tempestade, que aumentara bastante desde que saí do cemitério.
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Vou até o pequeno ''comércio'' dele. Nada muito longe de onde eu moro.
Meia hora depois de sair, chego de frente a um prédio com dois andares, No de cima, o lugar onde ele mora. No andar de baixo, apenas uma porta na parede cinza escura.
Entro. Lá dentro, o ambiente é claro, devido as lâmpadas fluorescentes, espalhadas por todos os lados ao teto. Algumas vitrines com aparelhos preenchem a parte da frente do estabelecimento. Ao centro, uma grande bancada divide o lugar, esta bancada vai de um lado ao outro, até encostar na parede, então faz uma curva e vai até os fundos, faz outra curva até encostar na parede lateral, onde há uma escada para subir ao andar de cima. Essa bancada fica em forma de U com a parede lateral, e, atrás dela, todo o tipo de coisas desmontadas.
Felipe surge por esta bancada, ao som dos meus passos pela entrada. Um rapaz de 23 anos. Alto, cabelo desgrenhado e loiro. Óculos de lentes quadradas, ao estilo Nerd.
Felipe foi a primeira pessoa, e a única, com quem fiz amizade ao longo de nossa estadia no orfanato.
Ele foi parar lá logo as três anos. Sua mãe morrera no parto e seu pai, bem, esse nunca deu as caras. Ficou aos cuidados da avó, até ela não poder mais cuidar dele.
Nos anos que ficamos por lá, aprendemos juntos muito sobre a nova tecnologia. Dávamos algumas escapadas do orfanato e íamos aonde fosse possível adquirir mais conhecimento.
Então conseguimos um curso técnico e ele saiu um ano antes que eu.
Ainda somos 'sócios' em alguns serviços. De vez em quando surgem algumas linhas de códigos para programar.
Me aproximo e ele me joga as baterias.
''Por que desligou o telefone daquele jeito?''
''O telefone não é mais tão seguro quanto era antes da tecnologia avançar tanto, não acha?''
''Entendo. Então, essas baterias aí servem?''
Tiro a bateria que estava dentro do aparelho e comparo com as outras duas. Eram perfeitamente iguais.
''Servem sim. São idênticas. Onde você as conseguiu?''
''Eu dois aparelhos completamente destruídos que veio até mim a um mês. Um catador achou eles e me trouxe.''
''Ainda tá com os aparelhos?''
''Sim, estão aqui.''
Ele aponta para a bancada. Dou a volta nela e me aproximo da carcaça de dois aparelhos. Os dois estavam em um estado deplorável. A estrutura até estava boa, mas a parte eletrônica deles havia sido explodida. Provavelmente eu estava certo sobre o botão de Autodestruição.
As baterias estavam um pouco avariadas. Mas não haviam estourado igual a que eu tinha.
''Alguma possibilidade delas estarem funcionando?'' Digo, mostrando as baterias.
''Grandes chances de sim. Elas são um pouco diferentes das outras. Tem uma capacidade de guardar energia um pouco maior. Se a parte interna não foi muito abalada, funcionarão com certeza.''
Olho de novo para os aparelhos. Eu não podia deixá-los. A mera existência deles naquele lugar possibilitaria o pensamento de que alguma parte dele foi desmantelada ou de que Felipe tenha tentado aprender alguma coisa com eles. Além do mais, a tela de um deles estava inteira, e me lembrei de que o que eu tinha, guardado muito bem em minha casa, estava com uma rachadura.
''Vou levar eles se não se importa. Quanto fica tudo?''
''Isso tudo tá aqui sem utilidade nenhuma, só ocupando espaço e eu não consigo me livrar. Se você levar é um favor pra mim. Mas eu quero saber, no que você está metido?''
''Eu ainda não sei direito. Só sei que alguma coisa está errada, que eu presenciei algo e que eu preciso agir quanto a isso, pra poder me sentir melhor.''
Ele não entendeu esse último comentário. O fato daquele sequestro me lembrou dos meus pais. Da morte deles, e isso por si só já era um fator a mais para tentar intervir. Depois aquele encontro no cemitério. Eles iam fazer alguma coisa contra aquela garota.
''Se você for questionado sobre estes aparelhos, não diga que os tinha. E se for inevitável, nunca os associe a mim, por favor.''
''Tudo bem.''
Depois disso ele me pede para olhar um dos códigos de um programa e acabá-lo. Estávamos de acordo.
Saio de lá. Caminho algum tempo e me deparo com um pequeno sebo. Era uma das coisas que me faltava. Precisava de um dicionário. E de que ele viesse de algum lugar difícil de ser rastreado. Eles poderiam esta monitorando quem traduz textos de uma língua tão estranha.
Entro, o lugar está quase fechando. Uma loja bem pequena de fachada. As paredes muito próximas uma da outra, com espaço para três pessoas andarem no longo corredor, entre os livros que ficavam pelas paredes.
Vou até o final, onde há um pequeno balcão e uma atendente. Pergunto se ela tem dicionários, e então mostro três palavras significantes que eu havia gravado daquele papel.
Ela me pede para esperar. Vai até uma prateleira e volta com dois exemplares.
''Esse é de Galês, e esse outro é de Dinamarquês. Mas acredito que seja Galês mesmo.''
Ela me entrega o exemplar. Um pequeno livro, muito grosso. Amarelado pelo tempo. Dou uma folheada e acredito que seja este mesmo.
Pago e saiu dali. O dia estava em seu tom laranja de fim de tarde. E hoje, como quase nunca havia feito, eu não estaria vendo essa cena, sentado naquele banco do parque.
Desde que eu me estabeleci no orfanato, eu vou aquele parque. Um lugar calmo e bonito, localizado nas proximidades do prédio onde era o orfanato. Hoje, apenas mais um prédio corporativo...
Isso é geek demais... hêhê... MUITO BOM!!! O/
ResponderExcluirkk Exagerei então? haha Obrigado por acompanhar ^^
ExcluirNão foi exagero, foi bem escrito. Bem estruturado, algo realmente nerd... kkk.
ExcluirNerds a Solta :D kkk
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