Me vejo de frente a um sofá, uma mesinha de centro, com papéis revirados em cima, uma televisão em um móvel sem gavetas.
Estavam todas pelo chão, vazias. Papéis espalhados e amontoados por cima do longo tapete que cobre a extensão da sala.
Evidentemente os amigos de Raphael passaram por aqui. E não devem ter encontrado o que procuravam.
Faço meu caminho até a cozinha e encontro o mesmo caos por lá.
Vou para o quarto. Lá o estado é ainda pior. Roupas estavam jogadas por sobre a cama. Provavelmente, fundos falsos foram caçados.
Não há nada útil.
Reviro os montes de roupa. Depois de algum tempo encontro alguns aparelhos a um conto. Identifico um como o carregador. Pelo menos minha busca não ia ser de todo, em vão.
Volto para a sala. Então, algo caído perto da porta de entrada chama minha atenção. Um cartão pequeno, mas de um roxo chamativo.
‘’Daeco, Depósito Empresarial.
Rua Avila, Galpão 12.’’
Não sei qual a procedência daquele cartão, se era da própria Sofie ou não.
Reviro um pouco mais os papéis, nada de novo. Encontro mais uma pilha de cartões idênticos.
Me levanto. Há um tempo considerável que estou aqui.
Caminho para a janela, mas surge a ideia de que talvez haja uma dessas chaves reserva que deixamos inexplicavelmente em um suporte próximo a geladeira. Uma simples olhada e lá está o chaveiro. Pego. Volto com a intenção de fechar a janela, mas no caminho sou atraído a um largo mural com inúmeras fotos. Quase todas aparecem a própria garota. Algumas bem recentes.
Uma figura não muito alta. Cabelo curto levemente avermelhado que reluzia ao por do sol. Aquele dia, quando nossas vidas se cruzaram em um parque ao deitar do sol, eu não tinha visto seu rosto, só ontem quando consegui acessar o aparelho. Seus olhos pareciam azuis, nesta foto, mas eu outra, sem o sol diretamente em seu rosto, seus olhos pareciam verdes.
Olho por mais um tempo algumas fotos, então uma me parece familiar. Ela está no outro canto do quadro, e me chama a atenção pela arquitetura. Vou indo até onde a foto está presa ao mural. Um barulho repentino de passos ao lado de fora, no corredor, me faz congelar no meio de um passo.
Vozes soam através da parede. Sou impelido para a memória do meu encontro no cemitério. Eram as mesmas vozes que eu havia ouvido lá.
O som de uma chave caindo me acorda. Alguém reclama, abaixa e a pega. Então é colocada na porta e o mecanismo interno da fechadura range. Neste exato momento, bato a janela. Fico escondido e olhando pelo canto dos olhos. Eles entram. Os mesmos homens de sempre. Vestidos com o mesmo uniforme.
Então algo inacreditável acontece. Um terceiro homem, que até agora eu só tinha visto, por uma das fotos que tirei ontem, ao volante do carro preto, entra no apartamento, arrastando uma jovem amordaçada. Era a única pessoa que podia ser. Sofie.
A porta é fechada novamente. Como se a pequena garota, claramente esgotada e fraca por ter sido capturada, pudesse fugir sozinha.
‘’Abra a janela, Matheus.’’ Diz o homem que era indubitavelmente o chefe do grupo. O que mais havia conversado com Raphael.
O motorista permanece apoiando Sofie, enquanto o outro caminha em minha direção.
Me jogo para a escada do lado e subo apressadamente para o nível superior, até um ponto cego à vista da janela.
O homem, Matheus, abre a janela. Vejo sua cabeça procurando a fonte do barulho repentino que provoquei subindo a escada. Ele não acha nada, então volta a cabeça para dentro.
Com todo cuidado possível, tento descer sem fazer barulho.
Chego ao beiral da janela novamente. Eles haviam entrado para o quarto.
‘’Vamos, Sofie. Diga onde está! Não queremos te fazer mal, mas você não está cooperando! Entregue logo o aparelho e a cópia do email.’’
‘’Já disse que não está comigo, Leonardo. Estava tudo junto. A papelada que vocês já pegaram. E o aparelho estava na minha mão quando vocês me pegaram...’’ Sua voz saia fraca. Mesmo assim se distinguia a leveza de suas palavras e o um doce tom.
Xingos ecoam pelo apartamento. Leonardo ou não acreditava nela, ou sentia a culpa por ter perdido provas tão importantes.
Então um estalar e um grito se seguem. E logo após um choro de dor.
‘’Não vai adiantar você bater nela, Leonardo. A culpa pelo visto é sua mesmo.’’
‘’Cala a boca, Guilherme!’’
Os passos se voltam para a sala. Guilherme é o primeiro a aparecer, trazendo Sofie com um corte no rosto. Eles vão até a cozinha e lá ele a deixa, com um pano cuidando do ferimento.
Ele volta para a sala, onde Leonardo e Matheus estão entrando. Leonardo sussurra algo para os outros e eles voltam para o quarto.
Sofie os observa por alguns segundos e então vai tenta chegar mais perto da geladeira. Sua cabeça tomba quando ela percebe que o que ela está procurando não está lá.
Pulo para dentro, sem fazer muito barulho. Ela me olha assustada. Nunca tinha me visto na vida, e agora eu estava de frente para ela.
Faço um gesto sutil para que fique em silêncio, então mostro a chave que está na minha mão. Ela tenta andar, mas quase cai.
Vou até ela, e a seguro. Seus tornozelos estão roxos. Sua boca está sem sangue, e sua face está sem cor.
Caminhamos até a porta. Então entrego a chave a ela. Deixo-a sozinha tentando abrir a porta. Vou lentamente e nas pontas do pé. Eles estão entretidos lá dentro, de costas para a porta e revirando novamente as coisas espalhados no chão. Mais especificamente onde estava o carregador. Devem ter notado a falta dele.
Pulo para dentro do quarto. Eles se surpreendem, e quando percebem minha presença, já estou fechando a porta e trancando. Para garantir, a travo por fora com a primeira coisa que vejo na frente.
Eles esmurram a porta, mas nada acontece.
‘’É o desgraçado do fotógrafo!’’ Berra Leonardo.
Volto e encontro à porta aberta. Sofie está apoiada na parede. Ela se apoia em mim. Pego a chave e saímos apressados.
Com muito custo chegamos à portaria. Um tiro é ouvido por todo o prédio. Vozes exaltadas se aproximam loucamente pelas escadas.
O porteiro tenta me parar, mas reconhece a garota e então abre o portão.
Chegamos à rua e então entro num taxi que estava parado logo na entrada.
Os homens se aproximam, com armas em punho e atiram contra o táxi que já estava em movimento, errando o alvo por pouco.
Vejo-os voltarem para entrar no caro. Mando o motorista virar no primeiro lugar que desse. Assim nos despistamos.
E sobrevivo pela segunda vez à esse encontro...
Me jogo para a escada do lado e subo apressadamente para o nível superior, até um ponto cego à vista da janela.
O homem, Matheus, abre a janela. Vejo sua cabeça procurando a fonte do barulho repentino que provoquei subindo a escada. Ele não acha nada, então volta a cabeça para dentro.
Com todo cuidado possível, tento descer sem fazer barulho.
Chego ao beiral da janela novamente. Eles haviam entrado para o quarto.
‘’Vamos, Sofie. Diga onde está! Não queremos te fazer mal, mas você não está cooperando! Entregue logo o aparelho e a cópia do email.’’
‘’Já disse que não está comigo, Leonardo. Estava tudo junto. A papelada que vocês já pegaram. E o aparelho estava na minha mão quando vocês me pegaram...’’ Sua voz saia fraca. Mesmo assim se distinguia a leveza de suas palavras e o um doce tom.
Xingos ecoam pelo apartamento. Leonardo ou não acreditava nela, ou sentia a culpa por ter perdido provas tão importantes.
Então um estalar e um grito se seguem. E logo após um choro de dor.
‘’Não vai adiantar você bater nela, Leonardo. A culpa pelo visto é sua mesmo.’’
‘’Cala a boca, Guilherme!’’
Os passos se voltam para a sala. Guilherme é o primeiro a aparecer, trazendo Sofie com um corte no rosto. Eles vão até a cozinha e lá ele a deixa, com um pano cuidando do ferimento.
Ele volta para a sala, onde Leonardo e Matheus estão entrando. Leonardo sussurra algo para os outros e eles voltam para o quarto.
Sofie os observa por alguns segundos e então vai tenta chegar mais perto da geladeira. Sua cabeça tomba quando ela percebe que o que ela está procurando não está lá.
Pulo para dentro, sem fazer muito barulho. Ela me olha assustada. Nunca tinha me visto na vida, e agora eu estava de frente para ela.
Faço um gesto sutil para que fique em silêncio, então mostro a chave que está na minha mão. Ela tenta andar, mas quase cai.
Vou até ela, e a seguro. Seus tornozelos estão roxos. Sua boca está sem sangue, e sua face está sem cor.
Caminhamos até a porta. Então entrego a chave a ela. Deixo-a sozinha tentando abrir a porta. Vou lentamente e nas pontas do pé. Eles estão entretidos lá dentro, de costas para a porta e revirando novamente as coisas espalhados no chão. Mais especificamente onde estava o carregador. Devem ter notado a falta dele.
Pulo para dentro do quarto. Eles se surpreendem, e quando percebem minha presença, já estou fechando a porta e trancando. Para garantir, a travo por fora com a primeira coisa que vejo na frente.
Eles esmurram a porta, mas nada acontece.
‘’É o desgraçado do fotógrafo!’’ Berra Leonardo.
Volto e encontro à porta aberta. Sofie está apoiada na parede. Ela se apoia em mim. Pego a chave e saímos apressados.
Com muito custo chegamos à portaria. Um tiro é ouvido por todo o prédio. Vozes exaltadas se aproximam loucamente pelas escadas.
O porteiro tenta me parar, mas reconhece a garota e então abre o portão.
Chegamos à rua e então entro num taxi que estava parado logo na entrada.
Os homens se aproximam, com armas em punho e atiram contra o táxi que já estava em movimento, errando o alvo por pouco.
Vejo-os voltarem para entrar no caro. Mando o motorista virar no primeiro lugar que desse. Assim nos despistamos.
E sobrevivo pela segunda vez à esse encontro...
Nossa cara, melhor capítulo até agora. Eu lendo cada linha curioso quanto a próxima. Nem acredito que ele conseguiu escapar com a garota. Nó, agora tu vai ter que escrever o sexto o quanto antes.. Ninguém manda escrever tão bem e deixar os leitores curiosos... God, muito bom!!!!
ResponderExcluirkkk Obrigado! Vou tentar começar a escrever ainda hoje, tenho as bases já. Pretendo fazer umas revira voltas ae, mas espero que seja bom ;D
ExcluirCom certeza vai ser bom! Esperando empolgado pelo o próximo. Não demore.. kk
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